Mounjaro e Ozempic pelo SUS? Veja projeto da ALMT quer criar fundo estadual para distribuição de medicamentos para diabetes

Resumo rápido

Proposta do deputado estadual Chico Guarnieri prevê financiamento público para tratamento da obesidade e diabetes tipo 2 na rede estadual de saúde.

Mounjaro e Ozempic pelo SUS? Veja projeto da ALMT quer criar fundo estadual para distribuição de medicamentos para diabetes
Foto: Reprodução

Semana 7 c/ FolhaMax

Um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) pretende criar um fundo estadual específico para financiar a distribuição de medicamentos como Mounjaro, Ozempic e Wegovy pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Mato Grosso. A proposta é de autoria do deputado estadual Chico Guarnieri (PSDB) e prevê a criação do Fundo de Combate à Obesidade do Estado (FCOE).

De acordo com o texto, o objetivo é garantir acesso controlado aos medicamentos utilizados no tratamento da obesidade grave e diabetes tipo 2, além de reduzir a fila de cirurgias bariátricas no estado. A proposta estabelece critérios clínicos rigorosos para que os pacientes tenham acesso aos remédios, incluindo acompanhamento médico, nutricional, psicológico e incentivo à prática de atividades físicas.

O projeto prevê que os medicamentos à base de tirzepatida, o princípio ativo do Mounjaro, e semaglutida, presente em remédios como Ozempic e Wegovy, sejam adquiridos de forma centralizada pelo Estado. Segundo a justificativa apresentada pelo parlamentar, a medida ajudaria a reduzir custos e evitar diferenças de critérios entre municípios na oferta do tratamento.

Pela proposta, poderão ter acesso ao tratamento pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m², ou acima de 35 kg/m² quando houver doenças associadas, como hipertensão, diabetes, problemas cardiovasculares ou apneia do sono. Pacientes com obesidade grau I só poderão receber os medicamentos após tentativa frustrada de tratamento convencional por pelo menos seis meses na atenção básica.

O texto também proíbe expressamente o uso exclusivamente estético dos medicamentos dentro da política pública estadual, buscando evitar o uso indiscriminado que se popularizou nos últimos anos nas redes sociais e no mercado de emagrecimento.

Caso seja aprovado pelos deputados estaduais e sancionado pelo Governo de Mato Grosso, a Secretaria de Estado de Saúde (SES-MT) terá prazo de até 180 dias para elaborar um protocolo clínico estadual com regras detalhadas sobre inclusão de pacientes, metas terapêuticas, monitoramento dos resultados e critérios para suspensão do tratamento.

Na justificativa da proposta, o deputado argumenta que a obesidade se tornou um dos maiores desafios de saúde pública do estado e destaca que o SUS em Mato Grosso já gasta cerca de R$ 25,8 milhões por ano com tratamentos relacionados à obesidade e doenças associadas. O texto ainda cita que apenas o Hospital Metropolitano, em Várzea Grande, realizou aproximadamente 1,2 mil cirurgias bariátricas em 2024.

A discussão sobre o fornecimento público do Mounjaro já vem ganhando força em Mato Grosso desde 2025. Em Cuiabá, a prefeitura iniciou projetos-piloto para distribuição do medicamento a pacientes obesos em situação de vulnerabilidade, com investimento milionário para aquisição das doses.