UFMT Lança Curso Inovador de Formação de Professores Indígenas no Araguaia
O Ministério da Educação aprovou a criação do curso de Licenciatura Intercultural Indígena na UFMT, um marco para a educação indígena na região do Médio Araguaia.
O Ministério da Educação (MEC) anunciou a criação do curso de Licenciatura Intercultural Indígena no Câmpus do Araguaia da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), localizado em Barra do Garças. Este curso pioneiro visa a formação de professores indígenas, começando com estudantes do povo A'uwẽ Uptabi (Xavante).
Oferecido pelo Instituto de Ciências Humanas e Sociais (ICHS), o curso representa um avanço significativo para a educação indígena na região, sendo desenvolvido a partir da cultura, língua e realidade das comunidades. O projeto, que tramitava há anos, finalmente ganhou vida após uma articulação entre o movimento indígena e o MEC, garantindo os recursos necessários para seu início.
A direção do ICHS já iniciou visitas às aldeias para implementar o curso. A professora Ranielle Sousa, diretora do Instituto, enfatizou a importância dessas visitas para estreitar laços com as comunidades e entender suas demandas. "Essas visitas são fundamentais para aproximarmos a Universidade das comunidades e conhecermos de perto suas realidades, demandas e necessidades", afirmou.
Segundo Ranielle, o curso é um marco tanto para a UFMT quanto para o povo Xavante: "É muito representativo e simbólico ver a comunidade indígena ocupar de fato a Universidade, que passa a ser também um território indígena. O grande objetivo é fortalecer o direito à educação e formar professores dentro de seus próprios territórios".
A Licenciatura Intercultural oferecerá 50 vagas para a formação de professores Xavante, focando em docentes que atuarão nos anos finais do Ensino Fundamental e Médio. O processo seletivo será realizado com requisitos como Ensino Médio completo e comprovação de pertencimento a um povo indígena.
Com duração de quatro anos, o curso busca qualificar professores que atuarão em suas comunidades, integrando conhecimentos acadêmicos aos saberes tradicionais e promovendo a preservação da língua, cultura e identidade indígena. A formação incluirá duas habilitações: Linguagens e Humanidades e Ciências da Natureza e Matemática.
Xisto Tserenhiru, coordenador do Território Etnoeducacional Xavante, destacou que a criação da licenciatura é uma conquista após anos de luta, iniciada em 2009. "Antes, muitos professores precisavam deixar suas famílias e viajar para outras cidades para obter uma licenciatura. Agora teremos essa formação construída para a nossa realidade e dentro do nosso território de atuação", explicou.
O curso adotará a “pedagogia da alternância”, dividindo o tempo entre aulas presenciais na UFMT e atividades práticas nas aldeias. Isso permitirá que os alunos permaneçam próximos de suas comunidades durante toda a formação, aplicando os conhecimentos adquiridos diretamente nas escolas indígenas.
As próximas etapas incluem a atualização do Projeto Pedagógico do Curso (PPC) e a organização da seleção dos estudantes e professores colaboradores. A previsão é que o processo seletivo ocorra ainda este ano, com o início das aulas programado para o primeiro semestre de 2027.







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