Denúncias de Complicações em Cirurgias Estéticas em Cuiabá Levantam Preocupações
Pelo menos 20 mulheres relataram complicações após procedimentos estéticos realizados pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, em Cuiabá. As queixas incluem deformidades e cicatrizes, além da morte de uma jovem durante uma cirurgia.
Pelo menos 20 mulheres relataram complicações após procedimentos estéticos realizados pelo médico Euller Gustavo Pompeu de Barros Gonçalves Preza, em Cuiabá. As queixas incluem deformidades nas mamas, cicatrizes e danos a próteses de silicone.
Os relatos foram exibidos neste domingo (1º), pelo programa Domingo Espetacular, da Record, após a morte de Lourdes Maria Padilha, de 24 anos, durante uma cirurgia plástica conduzida pelo profissional na Capital.
Uma das pacientes, Arabie Folles, contou que procurou Euller em 2013 para uma cirurgia de reparação nas mamas. Segundo ela, o procedimento foi realizado no próprio consultório, em uma sala separada por uma porta sanfonada. A mulher afirma que o médico perfurou uma das próteses durante a aplicação da anestesia. Ele teria reconhecido o problema e oferecido uma nova cirurgia, mas ela recusou por medo.
Outra paciente, que preferiu não se identificar, relatou ter ficado com as mamas de tamanhos diferentes e deformidades após a troca de próteses. Outros profissionais recomendaram uma nova intervenção para corrigir o resultado. Uma terceira mulher, moradora da Grande São Paulo, afirmou que teve o umbigo retirado e reconstruído sem autorização durante um procedimento estético. "Ele arrancou o umbigo que eu tinha e refez. Ficou uma cicatriz grosseira com um novo umbigo enorme", disse à Record.
As denúncias ganharam repercussão após a morte de Lourdes, que passou por uma cirurgia para colocação de silicone nas mamas e lipoescultura. À Record, o marido da jovem, Juan Pablo Padilha, contou que a esposa sonhava em realizar os procedimentos. Segundo ele, a família foi informada de que ela sofreu uma parada cardíaca durante a operação e não resistiu às tentativas de reanimação. "Se ela não tivesse entrado naquele centro cirúrgico, ela ia estar aqui comigo hoje, a gente ia estar vivendo normalmente, minha filha ia ter a mãe", lamentou.
A Polícia Civil investiga as circunstâncias da morte e deverá ouvir o médico e os demais profissionais que participaram da cirurgia.
A reportagem também revelou que Euller possui registro ativo no Conselho Regional de Medicina (CRM), mas não tem Registro de Qualificação de Especialista (RQE), documento que comprova o reconhecimento formal de uma especialidade médica. O CRM de Mato Grosso instaurou uma sindicância para apurar possíveis irregularidades. O profissional também responde a quatro processos éticos, que tramitam sob sigilo.
Em defesa, o advogado Alex Cardoso, que representa o médico, minimizou as reclamações e afirmou que elas correspondem a uma pequena parcela das pacientes atendidas. Sobre a morte de Lourdes, a defesa sustentou que a cirurgia seguiu os protocolos médicos e que a equipe iniciou imediatamente as manobras de reanimação após uma queda acentuada na saturação de oxigênio da paciente. O advogado confirmou a ausência do RQE, mas alegou que Euller possui formação complementar e experiência para realizar os procedimentos. O médico continua atendendo em sua clínica em Cuiabá. As denúncias e as circunstâncias da morte de Lourdes seguem sob investigação.







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