Promotoria Investiga Supostos Privilégios de Réu em Várzea Grande
Durante sessão do Tribunal do Júri em Cuiabá, promotor questiona tratamento diferenciado de Carlos Alberto Gomes Bezerra, acusado de duplo homicídio.
No último dia 31 de julho de 2026, durante uma sessão do Tribunal do Júri no Fórum de Cuiabá, o promotor de Justiça Vinícius Gahyva apresentou sérias preocupações sobre os possíveis privilégios concedidos ao réu Carlos Alberto Gomes Bezerra, conhecido como Carlinhos Bezerra, na Penitenciária Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
Bezerra está sendo julgado pelo duplo homicídio de sua ex-namorada, Thays Machado, e do atual namorado dela, Willian Cesar Moreno, assassinados a tiros em janeiro de 2023. O promotor alegou que há indícios de que o réu recebe um tratamento distinto, como o acesso a uma alimentação diferente da servida aos demais detentos.
Durante o interrogatório, Carlinhos Bezerra afirmou aos jurados que, em um momento de desespero, teria ingerido cerca de 150 comprimidos em uma tentativa de suicídio. O promotor questionou como ele obteve tal quantidade de medicamentos controlados dentro da prisão.
Ao relatar sua versão dos fatos, Bezerra alegou que perdeu o controle emocional ao ver Thays e Willian juntos, afirmando que os disparos aconteceram em uma fração de segundos. Ele negou monitorar a ex-companheira, ressaltando que ambos compartilhavam a localização de seus celulares durante o relacionamento.
A investigadora Lívia Cristina Silva Sales, da Delegacia Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), testemunhou que a perícia nos celulares revelou conversas sobre a contratação de uma mulher chamada “Cigana Isolda” para realizar um trabalho espiritual envolvendo Thays, pelo qual foi pago R$ 550. Também foram identificadas 914 chamadas entre Bezerra e a vítima no período de 31 de dezembro de 2022 a 18 de janeiro de 2023.
O delegado Marcel Gomes de Oliveira, responsável pelas investigações, afirmou que as provas coletadas demonstram claramente o monitoramento da rotina da vítima e a premeditação do crime. Após a fase de instrução, o julgamento prosseguiu com intensos debates entre as partes, cabendo aos jurados decidir sobre a condenação ou absolvição do réu.

















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