Por que Barra do Garças continua atraindo novas empresas nacionais?
Chegada das lojas Renner reforça crescimento do comércio e potencial de retorno econômico que a cidade oferece às grandes redes.
Vinícius Costa*
Semana7
Famosa por seus atrativos naturais como o Parque Estadual da Serra Azul, a Serra do Roncador, o Parque das Águas Quentes, a temporada de praia, as inúmeras cachoeiras e o peculiar Discoporto, Barra do Garças recebe visitantes durante o ano inteiro. Embora seja reconhecida nacionalmente pelo turismo, quem chega à cidade hoje encontra grandes redes nacionais do comércio, concessionárias, universidades e empresas ligadas ao agronegócio. Esse cenário é resultado de uma transformação econômica vivida pelo município, que se consolidou como um dos principais polos econômicos e de geração de empregos do Vale do Araguaia.
Empresas de grande porte investiram em Barra do Garças, principalmente na última década. Um dos marcos neste processo ocorreu em 2015, com a inauguração da Havan. A unidade teve um investimento de aproximadamente R$ 30 milhões e gerou cerca de 200 empregos diretos durante a construção.
Onze anos depois, a chegada das lojas Renner mostra que grandes investimentos do setor privado no município não são casos isolados. A varejista prepara a instalação da primeira unidade em Barra do Garças, em um prédio de três andares em frente à principal rotatória da cidade, a Praça dos Garimpeiros, na avenida Ministro João Alberto. A obra já emprega cerca de 50 trabalhadores, e, segundo o prefeito Adilson Gonçalves, vai gerar quase 30 empregos após a inauguração prevista para este mês.
Lideranças da área apontam que o maior diferencial da cidade para atrair novas empresas é o atendimento aos consumidores de toda a região, funcionando como um polo em saúde, turismo, comércio e serviços para municípios do Vale do Araguaia, do Sudeste ao centro-sul mato-grossense, e de Goiás.
Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Barra do Garças, Aragarças e Pontal do Araguaia (CDL/BGAPA), Leonardo Carvalho da Mota, o sucesso do município está diretamente ligado à sua capacidade de atender uma população muito maior do que a registrada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Conforme o censo de 2022, são 69.210 habitantes e estimativa de 73.878 para o ano de 2025.
As grandes empresas têm critérios muito específicos e normalmente muito objetivos. Elas costumam observar localização, renda, logística, potencial de crescimento e capacidade de consumo
“Quando elas olham para Barra do Garças, enxergam uma cidade estrategicamente posicionada. E ela está inserida em uma das regiões mais promissoras do agronegócio brasileiro”, explica Leonardo.
Essa influência regional é percebida diariamente no convívio barra-garcense. Todos os dias, moradores de cidades como Torixoréu, Araguaiana, Nova Xavantina e várias outras, passam pelo município em busca de educação, saúde, serviços especializados e emprego. “Nossa influência atravessa o Rio Araguaia e vai para dentro do estado de Goiás. Barra do Garças não atende só a sua população local. Ela funciona literalmente como referência comercial para toda essa macrorregião”, continua Leonardo.
Ainda de acordo com o presidente da CDL, o crescimento do comércio está diretamente ligado com o potencial de retorno econômico que a cidade tem para estas empresas. “Quando empresas do porte da Renner, Havan, Todimo ou Atacadão [...] têm um mapeamento que coloca uma cidade como Barra do Garças no radar, elas estão validando economicamente aquele mercado. [...] o investidor não olha apenas para os moradores da cidade, olha para todo o fluxo proporcionado pelo Vale do Araguaia”, concluiu Leonardo.
Essa percepção de potencial econômico da cidade, principalmente como atrativo de empresas nacionais, também é compartilhada pelo poder público. Segundo o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, José Bispo dos Santos, Barra do Garças reúne características únicas, que poucas cidades da região conseguem oferecer ao mesmo tempo. Sua localização privilegiada permitiu a cidade ser vista por empresas como uma região com grande demanda de consumo e transporte.
“Temos duas rodovias importantes, as BRs 158 e 070, que atravessam a nossa região e ligam Barra do Garças a qualquer cidade do país. Temos também a MT-100, que liga a Barra do Garças a terminais ferroviários. A questão de localização favorece a logística, o transporte, a chegada e saída dos produtos. E por ser um município com área territorial e população bastante significativa, isso é um dos pontos de maior positividade para a atração de grandes empresas, além do crescimento do nosso agronegócio, no momento”, disse José Bispo.
Esse protagonismo regional também se reflete na geração de empregos. Levantamento da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico mostra que os maiores empregadores de Barra do Garças estão distribuídos entre diferentes segmentos, como frigorífico, varejo, transporte, educação, construção civil, energia e indústria.
Secretaria de Desenvolvimento Econonômico de Barra do Garças
Maiores empregadores de Barra do Garças
Algumas redes instaladas no município contam com mais de uma unidade para atender à demanda crescente da população local e dos consumidores da região. Denise Daleffi, gerente de uma das três lojas Gazin, em Barra do Garças, afirma que o perfil da clientela mudou ao longo dos anos, e que a empresa paranaense passou a atender consumidores de diversos municípios do Vale do Araguaia mato-grossense e de Goiás.
“A gente atende clientes de Torixoréu que vêm comprar aqui, de General Carneiro, de Aragarças, até Baliza. Então toda região a gente acaba atendendo. Até aquela unidade ali [na avenida Valdon Varjão] foi realmente estratégica, porque às vezes o cliente não vem para o centro. Então, acaba atendendo aquele pessoal que passa também na rodovia e vê uma Gazin”, afirmou Denise.
Segundo ela, o crescimento da demanda levou a empresa a inaugurar uma terceira unidade em Barra do Garças. Ela explica que a expansão aumentou o faturamento da rede no município e também contribuiu para a geração de empregos, demonstrando que, mesmo com o avanço do comércio eletrônico (e-commerce), que costuma ser mais barato, a procura pelas lojas físicas continua elevada.
“A Gazin viu a necessidade de ter mais uma unidade para atender esses clientes de um bairro mais distante. Com isso, aumentou o nosso faturamento, a empresa também passa a gerar mais empregos diretos e indiretos. Vimos a necessidade porque o cliente, ele continua comprando, apesar de a gente vender muito no e-commerce [...] os clientes hoje realmente querem buscar aquele produto na loja física”, disse a gerente.
A expansão da economia e a diversificação das empresas instaladas no município geram um comércio cada vez mais competitivo. Segundo José Bispo, um levantamento recente apontou que os preços praticados em Barra do Garças já são compatíveis com os de grandes centros do país. “Hoje não precisa se deslocar para mais longe. Barra do Garças tem tudo para oferecer. Há pouco tempo foi feito um levantamento mostrando que os preços do município são compatíveis com os de qualquer mercado nacional", concluiu.
Ainda de acordo com o secretário, Barra do Garças sempre foi um polo regional de desenvolvimento, mas necessitava de políticas mais efetivas de incentivo ao setor produtivo.
“O que faltava era esse grande incentivo, era abrir as portas e dar mais atenção para o empresariado, seja rural ou urbano. E isso a atual gestão municipal tem feito. Tem recebido empresário, tem feito de tudo para acompanhar os processos e tem incentivado. Temos o Distrito Industrial, do qual nós já fizemos duas licitações para a venda de lotes. Estamos preparando a terceira, onde em breve vamos ter ali mais de 60 empresas instaladas. Tanto é que estamos trabalhando já na infraestrutura, também com o projeto de urbanização, com o projeto de rede hidráulica e de rede de esgoto”, explicou.
*Com supervisão de Andrezza Dias

















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