Após seis prisões, novo presidente do TCE-MT exonera 16 servidores investigados pela PF; veja lista
Entre os desligados estão funcionários presos na operação que apura suspeitas de irregularidades em contratos públicos.
Semana 7 com g1 MT
O novo presidente do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Waldir Júlio Teis, determinou a exoneração de 16 servidores citados na investigação da Polícia Federal que resultou na prisão do então presidente da instituição, Sérgio Ricardo de Almeida, e de outros cinco investigados. Os atos foram publicados nesta terça-feira (3), mesmo dia em que Teis assumiu o comando do tribunal.
Ao todo, foram registradas 18 exonerações, das quais 16 atingiram funcionários mencionados na Operação Tomada de Contas, deflagrada em 29 de outubro. Os desligamentos alcançam cargos estratégicos nos setores jurídicos, financeiros e administrativos, além de integrantes de gabinetes e comissões permanentes.
As exonerações foram oficializadas no Diário Oficial de Contas, com efeitos a partir de 3 de novembro. Entre os desligados estão cinco servidores que tiveram a prisão preventiva decretada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A mudança administrativa ocorre em meio à investigação sobre supostas irregularidades em contratos públicos, favorecimento de fornecedores, pagamentos extraordinários e movimentações financeiras suspeitas dentro do TCE-MT.
Veja a lista dos 16 servidores exonerados citados na investigação:
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Grhegory Paiva Pires Moreira Maia
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Gustavo Fernandes da Silva
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Felipe José Glinke
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Adriangelo Barros Antunes
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Roseli Loss
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Adjair Roque de Arruda
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Carlos Alexandre Pereira
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Carlos Felipe Oliveira Almeida
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Carlos Romeu Rodrigues de Medeiros
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Edson Luiz Ribeiro de Oliveira
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Eneias Viegas da Silva
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Jocimauro Bento do Carmo
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Maurício Marques Júnior
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Márcio Antônio Silvério
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Olavo Lage Filho
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Vitor Turri Romano
Outras duas servidoras, Camila Rodrigues de Magalhães e Simony Jin, também foram exoneradas, mas não aparecem entre os investigados pela Polícia Federal, conforme as informações divulgadas sobre os atos administrativos.
A investigação
A Operação Tomada de Contas foi desencadeada após denúncias de possíveis irregularidades na administração de contratos e na destinação de recursos públicos do Tribunal de Contas de Mato Grosso.
Conforme os autos, Sérgio Ricardo, que assumiu a presidência do TCE-MT em 2024, teria editado portarias suspendendo pagamentos contratuais sob a justificativa de contenção orçamentária. Entretanto, determinadas empresas teriam permanecido na lista de pagamentos, enquanto outras enfrentavam restrições.
Dados extraídos do Portal da Transparência apontariam uma contradição entre a alegada necessidade de economia e a evolução das despesas da instituição. Segundo a investigação, os pagamentos mensais teriam aumentado de R$ 67 milhões para R$ 80 milhões, mesmo durante o período de contenção.
A apuração também aponta que o orçamento do TCE-MT passou de R$ 763,8 milhões, em 2023, para R$ 786,7 milhões, em 2024, chegando a R$ 826,3 milhões em 2025.
Dados utilizados pela Polícia Federal ainda indicam que a receita estadual cresceu de aproximadamente R$ 37 bilhões em 2023 para R$ 39 bilhões em 2024 e R$ 42,696 bilhões em 2025.
Entre as empresas citadas na investigação estão prestadoras de serviços de limpeza, conservação, transporte, manutenção, recepção, apoio administrativo e publicidade.
Os investigadores apuram se a suspensão de contratos teria sido utilizada para pressionar fornecedores e favorecer pagamentos a determinadas empresas, com possível desvio de parte dos recursos.
Operação resultou em seis prisões
Conforme noticiado pelo Semana7 em 29 de outubro, a Polícia Federal mobilizou mais de 180 agentes para o cumprimento de seis mandados de prisão preventiva e 26 mandados de busca e apreensão em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo.
Além de Sérgio Ricardo de Almeida, foram presos a então chefe de gabinete Roseli Loss, o consultor jurídico-geral Grhegory Paiva Pires Moreira Maia, o assessor Adriangelo Barros Antunes e os advogados Gustavo Fernandes da Silva e Felipe José Glinke.
Durante a operação, a Polícia Federal também investigou movimentações bancárias consideradas atípicas, saques frequentes de grandes quantias em dinheiro e possíveis relações entre depósitos bancários e pagamentos realizados pelo tribunal.
Os investigadores identificaram indícios de movimentações financeiras milionárias atribuídas a integrantes da estrutura administrativa da instituição. A apuração envolve suspeitas de crimes contra a administração pública, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Conselheiros também foram alvos
A investigação também alcançou outros integrantes da Corte de Contas. Entre os conselheiros submetidos a medidas judiciais estão Guilherme Antônio Maluf, José Carlos Novelli, Alisson Carvalho de Alencar e o conselheiro aposentado Valter Albano da Silva.
Maluf integra o TCE-MT desde março de 2019 e exerceu mandato de deputado estadual. Novelli tomou posse em junho de 2001 e já havia passado por um período de afastamento entre 2017 e 2021.
Alisson Alencar ingressou no tribunal em dezembro de 2025, após atuar como procurador do Ministério Público de Contas. Já Valter Albano, conselheiro aposentado, integra a Comissão Permanente de Sustentabilidade Fiscal e também esteve afastado da Corte entre 2017 e 2021.
As decisões judiciais incluem medidas cautelares, como restrição de acesso às dependências e sistemas do tribunal, proibição de contato com outros investigados e suspensão temporária do exercício de funções públicas, conforme a situação de cada envolvido.
Mudança no comando do TCE-MT
Com a prisão preventiva de Sérgio Ricardo e o afastamento cautelar de outros conselheiros, Waldir Júlio Teis, até então vice-presidente, assumiu a presidência do Tribunal de Contas nesta terça-feira (3).
Uma das primeiras medidas adotadas pela nova administração foi a exoneração dos servidores investigados, que ocupavam funções em diferentes setores da instituição.
As investigações continuam sob responsabilidade da Polícia Federal, com acompanhamento do Superior Tribunal de Justiça. As prisões, afastamentos e exonerações não representam condenação definitiva, e as responsabilidades individuais ainda dependem da apuração dos fatos e das decisões judiciais.







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